sexta-feira, 20 de abril de 2012

O Buraco.

Um buraco negro tem um campo gravitacional tão foda que nada sai de dentro dele... nem a luz escapa. Ela entra e morre lá dentro (será?)

Algumas pessoas têm medo dos buracos negros, como se eles sugassem tudo e não fossem parar até que o Universo se engolisse a si mesmo próprio

Mas isso não é verdade. A verdade é que, na verdade, pouco se sabe. Pode até ser que os buracos negros estejam aí só para devorar tudo mesmo, aos pouquinhos, como aspiradores preguiçosos varrendo o Cosmos do próprio Tudo.
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Quando se nasce com um buraco no peito não há como tampá-lo. Se alguém tiver cavado, tudo bem... O natural é que volte a encher em algum momento. Mas se nasceu assim, vazio ainda que cheio, é buraco negro. 

Se esse "buraco" atrai tanto pra si que até mesmo não consegue deixar nenhuma fagulha sair, bem, se ele faz isso, meu amigo, fodeu.


O seu diagnóstico é buraco negro no coração. 

Algumas pessoas têm medo dos corações, como se eles fossem capazes de definir rumos, histórias e vidas durante o vai-e-vem safado da sístole/diástole diária e necessária. 

Outras pessoas têm medo dos corações e dos buracos negros que retumbam e devoram toda luz que as cercam, deixando dentro de si o mistério da atração do nada pelo nada.



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Enquanto olho por esta janela...

Enquanto olho por esta janela vejo os ipês floridos.
O sol, convidativo, acenando e sussurrando "Venha" ao meu ouvido.

De pé, enquanto olho por esta janela, imagino: onde estarei indo? Vejo meus passos rápidos atravessando o canteiro, fuçando na bolsa em busca do chiclete. Liberdade no ar que respiro. Capturo o telefone, ligo para alguém, marco um compromisso? Enquanto tagarelo, olho de soslaio para aquela que sou eu, mas está presa lá em cima, na janela, sorrindo.

Gavetas.

Hoje abri uma gaveta e me deparei com aquilo que há muito foi perdido.

Não estava lá realmente, havia somente um breve suspiro.

Gavetas são, em grande parte de suas vidas, caixões. Servem às vezes para armazenar roupas, meias. 
Mas geralmente confinam memórias. Esquecidas... esqueletos que não couberam nos armários.


Abrir uma gaveta é, então, atividade perigosa, por vezes trágica.
Gavetas são armadilhas. Dentro delas reside o que foi e o que poderia ter sido. 

Na sua poeira está o que nunca foi e aquilo que nunca poderia ter sido.

Hoje abri uma gaveta. E por um breve suspiro, vi. 


Fechei os olhos e segurei a respiração.

Não pude evitar. Pensei.

E pensei.

Pensei em minha mãe. Em como nossa vida era ruim. Em como ríamos muito. 
Era riso de desespero (?).

Em como aquilo era eterno e etéreo. 
Imaginei como ela está agora. 
E como estará daqui algum tempo.

Maldita gaveta.

Quando nasci

Quando nasci um anjo torto
desses que vivem nas nuvens
disse: "Vai, Sara! Ser bocó na vida..."
 
        - Poeminha de Duas Faces - a suja e a mal lavada.¹

Talvez eu já tenha comentado por aqui que era realmente bocó quando pequena.
Não que seja esperta hoje (nop), mas eu era realmente uma criança estranha boazinha.

Para exemplificar, me ignorem se eu já tiver citado a história lembro de um natal aí. Sei nem quantos anos eu tinha direito. Chuto uns 9 ou 10. Neste ano minha avó (que sempre dava os melhores presentes) resolveu que nos levaria (minha irmã mais velha, meu tio da minha mesma idade e eu) até a loja de brinquedos pra gente escolher nossos presentes.

Todo mundo pode imaginar como nós estávamos entusiasmados com isso... eu ansiava pela possibilidade de ser a dona & proprietária do sonho de consumo de toda menina daquela época: uma boneca barbie! 
Eu tinha uma barbie de papel daquelas que vinham na revista e você recortava a boneca e as roupas. Brincava por horas a fio com ela. Imagine quando tivesse uma de puro plástico?? Affffffffff, era emoção demais.

No caminho para a loja, minha avó seguiu entoando o mantra de todo adulto prestes a soltar tigres famintos crianças numa loja de brinquedos: "sem birra, vovó não pode gastar muito, sem briga, vovó não tem muito dinheiro, vamos levar coisas baratinhas, vovó não pode pagar nada muito caro". Minha irmã e meu tio nem ligaram para isso, como toda criança normal. Eu empaquei. 

Fiquei o resto do percurso inteiro imaginando que eu faria minha avó ficar pobre se pedisse alguma coisa cara. Ela era tão boa e não podia passar necessidade depois só pra que eu tivesse um brinquedo. Como ela pagaria as contas? Como ela sobreviveria??? COMO???

Cheguei na loja com o coração apertado. Juro. E acompanhei minha irmã direto pra prateleira das bonecas Barbie. Elas estavam lá todas sorridentes em seus vestidos de festa e suas caixas rosa-shocking, etiquetadas com o salgado preço de R$ 50!

Uau! A maior soma de dinheiro que eu já havia ganhado até essa época tinha sido a exorbitante quantia de R$ 1! Que foi gasto na aquisição de dois sorvetes! #gordinhafeelings
R$ 50 era a fortuna do Tio Patinhas (em moedinhas, é claro). 

Deixei minha irmã namorando as bonecas e fui ver o meu tio... não me interessei muito pelo brinquedo que ele havia escolhido, acho que era um carrinho de controle remoto ultra mega power... e o preço? Também algo por volta de R$ 50.

Pronto, Sarinha! A falência da sua avó está em suas mãos. Aquilo me corroía... Barbie ou minha avó? Barbie ou minha avó?? Venceu aquela que tinha o melhor sorriso... minha avó. (Mentira, minha avó era bem rabugenta naquela época... hoje ela é um doce S2)

Rodei e rodei na loja tentando encontrar alguma coisa barata. Parecia impossível. Não havia cartinhas, bonequinhas, joguinhos... tudo era grande, caro, exorbitante, fora dos limites!!! 
Por fim, andei tanto que encontrei uma boneca de R$ 18. Era o mais barato que eu havia encontrado até ali. Hoje em dia você consegue comprar Barbie de R$ 12! Original! Naquela época todos os brinquedos eram caros demais...

E fui para o caixa encontrar meu tio com o seu carrinho de controle remoto e minha irmã agarrada na caixa da Barbie-com-vestido-de-festa-preto-e-prata-e-salto-alto-e-bolsa. 

Aquela foi a boneca mais feia que já tive na vida. O coração dela brilhava, tipo o E.T. Nunca simpatizei com aquele tamborete de forró enrugado e zoiudo.

Esse foi apenas um exemplo da minha bocozisse. Eu era preocupada demais, ansiosa demais. E boazinha demais. Nossa, meus pensamentos eram assustadores (sob minha ótica atual hehehe). Eu era boa de verdade. Nunca queria o mal de ninguém, mesmo daqueles que me xingavam na escola (bullying? Rá! Eu rio na cara dele), entoando canções nada legais... e eu sempre mudava de escola. E as crianças sempre eram cruéis com as gordinhas recém-chegadas com cara de pastel.

Aos poucos fui me transformando. Tomando um posicionamento. Eu ainda era boa, mas não me importava mais com o que os outros falavam, cantavam, diziam, escreviam na carteira. 

Passou a puberdade. Tive um surto de autoconfiança surpreendente. 

Blá blá blá.

Adolescente e relativamente legal. Minha mãe pedia pr'eu não sair, eu não saía. Fazia tudo o que ela pedia... eu era uma chata kkkkk.

E tudo isso pra dividir com vocês um sentimento um tanto quanto novo para mim, surgido nestes últimos meses, talvez neste último ano.

O ódio.

Um ódio tão grande que eu podia imaginar um tijolo sendo atirado na cara da pessoa alvo do sentimento. E eu riria muito disso #megusta.
Um ódio espantosamente grande, perturbador. Devastador. Que não ia embora. Ficava sempre ali, à espreita. Um sentimento de injustiça transformado no mais puro e simples e viscoso ódio.

Não sei como saí da ignorância inocência  para simpatizante de Hades, sequer percebi esse caminho. Mas o meu negócio recentemente era ver o circo pegar fogo com a contorcionista piriguete queimando em sua roupa barata no meio do picadeiro. Com a sua boca de gaveta derretendo.

Em algum momento eu percebi que aquilo estava definitivamente me fazendo mal pra burro. E resolvi parar. Mas foi difícil decidir isso... Principalmente por que depois de abrir as comportas seria difícil fechá-las de novo, não é isto o que dizem? 

Como voltar a ignorar as pessoas mesquinhas e odientas que fazem mal só por esporte??? Que cagam no mundo e riem dos outros??? COMOOOOOOO?

Imaginei que não seria possível. E até hoje não foi.

Hoje passo algum tempo afastando esse sentimento. Tentando entender, direcionar, apaziguar. Mentalizar que o bem do outro é o meu bem.

Estou me (es)forçando. De verdade.
Sei que ainda assim me daria muito prazer se uma certa pessoa tomasse bonito no cu. Com areia.

Ok, me perdoem a última expressão. Se ofendi alguém, foi mal. 
Mas era realmente necessária para externar meus sentimentos. 


Que sirva de inspiração para aqueles que estão internados no sanatório :)
E de fonte de estudo para aqueles que tratam dos acima citados!


¹ Inspirado no Poema de Sete Faces, do Carlos Drummond de Andrade :)

Rocha

Ohne dich kann ich nicht sein. / Sem você eu não existo.
(Ohne dich) / (Sem você)
Mit dir bin ich auch allein. / Com você também estou sozinha.

- Ohne dich, Rammstein

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Não poderei te esperar. Por isso deixo o bilhete. Não há nada a dizer. É o mesmo de novo.
É o que eu faço.
É como eu sou.

Peguei algumas coisas. Somente o que já havia trazido comigo.
Espero que nada tenha ficado para trás. Como se fosse possível desaparecer...

Não posso mais

Com você, sou pedra. Sem você, sou rocha.

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Clipe "Ohne dich" :D



terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

20 minutos


Em 20 minutos as palavras preenchem o espaço em branco. O cursor pisca-pisca-pisca, o delete volta-volta-volta. E nesse vai-e-vem de letras, me preencho.

A cada dia um passo, um tijolo, um tempo a menos, algo a mais. Será que o tempo passa e para assim para todo mundo? Um passo a mais em direção ao abismo, mas cair significa voar... pelo menos por um tempo.


E voar por um tempo não é melhor do que marchar num mesmo ritmo para lugar algum até o horizonte (in)finitamente chato? Chato de plano, tão plano que fica até chato.

Caindo e caindo, abro os braços e sinto o vento assobiar louco pela queda, ensandecido pelo chão crescendo e crescendo.

O tempo não vai parar agora, ora bolas?? Claro que não. Não é assim que o tempo anda. Aqui, ele precisa correr. Precisa nos pegar pela mão e correr nas horas boas e nos segurar nas horas más. Não se sabe ao certo o motivo, talvez o tempo, pobrezinho, não tenha nada mais agradável para fazer a não ser rodar o relógio no sentido horário.

Assim como o infeliz do cursor que tem que ficar piscando-piscando-piscando, esperando o tempo parar e as palavras surgirem sorrateiras, atrás de uma prosa qualquer com o verso, esse chato, que vive a olhar o horizonte plano, cheio de planos chatos.

E os 20 minutos passaram e se foram. Arrastadamente apressados.





domingo, 1 de janeiro de 2012

Dois mil e doze

Começo 2012 devendo. 
Sem mencionar os fatídicos arroubos financeiros, estou me referindo às dívidas comigo mesma.

Natal e Ano Novo são as melhores épocas para a autoflagelação. Ainda que a Simone não tenha me perseguido na rua e em lojas como fez nos anos anteriores, colocando o dedo na minha cara e perguntando "E então é Natal e O QUE VOCÊ FEZ???" , mesmo assim tive um mês de autorrecriminação constante. 

Querendo ou não, terminei o ano pensando naquela música dos Titãs, Epitáfio. Lembram? "Devia ter amado mais / Ter chorado mais / Ter visto o sol nascer / Devia ter arriscado mais / E até errado mais / Ter feito o que eu queria fazer..."

Putz! Que coisa chata!!! 

Minha maior dívida, porém, consta estampada neste blog. Cadê os posts, Sara Andrade? Er... bem. 

Sei lá. 

Fiquei com medo de escrever. Isso mesmo. Medo de escrever aqui e acabar numa camisa-de-força ou de Vênus :). 

Explica isso, Bial? Explica nada, nem ele nem ninguém. 

Sempre que me debrucei sobre o teclado, à meia luz de um apartamento que nunca será um lar, observada por uma gata, teclei algumas palavras... li. Apaguei - "volta, volta, volta". Post abortado. 

O fato é que nestes últimos dias não residem em mim as melhores coisas ou os melhores desejos quiçá os mais coloridos sonhos. 
[Se eu sentasse com o Tim Burton para uma conversa franca, bem, ele acabaria me excluindo do facebook]

Acho que estou até aprendendo a meditar, do tanto que ando me concentrando para tentar "esvaziar" a mente.

Pois post vazio é oficina daquele diabinho sentado descansadamente no meu ombro direito
"E aí? Bora falar pelos cotovelos sobre tudo de ruim?"


Quando percebo, já escrevi coisas que fariam os meus mais queridos amigos ficarem de cabelos em pé, preocupados com isso ou com aquilo, oferecendo ombros e companhia para a clínica psiquiátrica... Então, fico com medo de expor isso. De parecer que nas entrelinhas há um S.O.S brilhando. 

Pior que a preocupação são os comentários de incentivo. Me sinto terrível. 
E quando alguém diz que tem orgulho de onde eu já cheguei? "Poxa, você chegou aí sozinha, paga suas contas, mora sozinha, é responsável..." e eu fico com essa cara:



É.


Por favor, não me levem pelo lado errado. Só não vejo mérito nenhum em ter feito estas coisas. Oh, não. Lá vem a vontade de apagar o post... "volta, volta, volta". Ugh, quase este post foi excluído. Resistirei.

O fato é que continuo me devendo posts. Eu devia ter escrito, expurgado mais, publicado. Ter escrito até mesmo o que eu não queria ler.

2012 não conseguiu me arrancar uma resoluçãozinha furada sequer. Por isso não posso prometer que escreverei mais. Registre-se, porém, que o diabinho sentado no ombro direito venceu uma batalha hoje e disto temos este post.

Quem sabe ele não ganhará outras batalhas?




Aproveitando o momento, fica aqui o meu muitíssimo obrigada a todos os amigos que me fizeram companhia ao longo de 2011... mesmo aqueles que fizeram companhia de longe, habitando o meu coração! Vocês são as pessoas mais compreensivas e maravilhosas on Earth!