terça-feira, 25 de agosto de 2009

Se eu escrevesse tudo o que imagino...

Dia normal, um pouco chuvoso.
Desço, singelamente, as escadas para o metrô e o aguardo antes da linha amarela.
Hoje não estou atrasada.
Isso é bom!
Não há muitos passageiros esperando.
Isso é muito bom!
Perdi a tampa do meu batom no buraco do metrô.
Isso é ruim. Muito ruim.

Tá, não que seja uma catástrofe!
"Mayday, Mayday! Parem os trens! FREIO TOTAL! Homens, desçam! Corram!!! Peguem a tampinha do meu batom nº 28 da Natura! Vamos, rapazes, não há tempo a perder... é um n.º 28!!! Deixe de ser maricas, mongolóide! Pule já nestes trilhos!!!"

Não é. Mas só senti aquilo como um pontinho negativo.
Enfim, vamos continuando.

Estação por estação, pingo por pingo, oreinha por oreinha, o vagão vai ficando um pouco mais cheio.
Encostada em uma das portas, aumento o volume do meu Metallica para conseguir mais espaço. Ninguém encosta numa menina com cara de psicopata que ouve rock muito alto! Háááá! (olhar psicopata = sono)

Lá fora cai uma chuvinha, leve, fraca. Chuva de molhar bobo.

Quando eu achei que caíria em coma no meio do vagão de tanto sono e/ou/definitivamente tédio, o vagão parou na Estação da 210 Sul.

Mas aí você, pobre transeunte, dirá "OPA! PERAÊ! Num tem como o metrô ter parado aí. A estação da 210 sul ainda tá em obras!"

Isso merrrrmo! O-B-R-A-S. Só tem... hum... num tem nada lá! Tudo escuro, no reboco ainda, menino, assustador!!! Agora diga para o metrô que ele num pode parar lá...

Do nada, surge uma voz que nos diz que o trem permanecerá lá até que algumas coisas sejam ajustadas.
Ok, ok! Se não fosse pelo meu conhecimento prévio sobre os alto-falantes e pelo meu ligeiro raciocínio lógico, eu poderia ter pensado que aquela voz vinha de Deus e que ele estava nos avisando que havia parado ali para algumas pessoas descerem logo pro inferno, pra já ir adiantando o serviço... MAS eu sabia que era o condutor/maquinista/metrosista! (O timbre era tão entediado que só podia ser do cara...) Por isso relaxei.

Minutos se passaram...
A VOZ novamente. Um pouco mais acordada repete a mensagem anterior.

Algumas pessoas já começaram a sentir a falta do oxigênio.
Estávamos lá há uns 3 minutos.
Uma senhora tentou abrir a janela, mãos trêmulas. A menina de mochila suja segurou mais forte no cano.

Ok, loucos! Há! Adoro eles!
Olhei para os rostos daquelas pessoas e tive a idéia de jogar "Fim do Mundo".

"Fim do Mundo" consiste em imaginar uma catástrofe mundial e desenvolver um enredo a partir do ponto onde se está.
Por exemplum:
Brincar de "Fim do Mundo" no shopping. Andando pela praça de alimentação, VALENDO!, comece a imaginar como seria morar ali por um longo tempo, isolado em meio às lojas abandonadas, com humanos desconhecidos e desconfiados, amedrontados pelos macacos-zumbis-alienígenas que tomaram todo o planeta. Você teria de sobreviver naquela área onde os monstros não chegavam devido a um cemitério indígena que havia ali.

Vamos lá, metrô parado na estação tosca em obras! "Fim do Mundo". VALENDO!
O trem parou porque houve uma explosão dos díodos diodódicos plumbéricos fosfolizantes, causada pela batida entre um ônibus da VIPLAN e uma carroça carregada de substância "Z", enviada ao Brasil pelo governo norte-americano.
(Enredo sombrio? Ok!)
Os únicos sobreviventes eram os felizes passageiros do vagão 12A. Com eles estava o destino da humanidade.
Enquanto escolhia as pessoas que entrariam no meu time para lutar por carne humana, eu me deparei com o pungente pensamento: Oh! Seríamos responsáveis por perpetuar a espécie!
Diante da população do vagão, posso me gabar de que era uma fêmea no auge... pelo menos da idade reprodutiva!!! Poderia escolher! U-huuuuuuuuuuuuu!
Essa era a parte boa. A ruim era que a situação ali tava difícil.
Tinha o véio do boné folgado, um rapaz duvidoso agarrado numa revista técnica, uns dois moleques que estavam de uniforme da escola... opa! Um hobbit! Que fofoooo o cabelinho dele! "É, pode ser você, hobbit..."
E então o hobbit se vira e posso ver os olhos dele...
[Não, MyBoy, não coloque música de amor... coloque a trilha do Psicose!]

Ele era ligeiramente estrábico.

Cancela. Abortar perpetuação da espécie.

Somos adaptáveis, ué! Vamos nos adaptar a isto também... nossos descendentes brotarão de nossas extremidades.

Nada contra os ligeiramente estrábicos, pois sou um deles! Mas a humanidade merece pelo menos uma chance. Genética tá aí e te explica as minhas motivações.

Finalmente o metrô voltou a andar. Deixei o Fim do Mundo para trás e voltei a pensar na tampinha do meu batom. "Agora ele vai encher de farelinho de fundo de bolsa :P"

Câmbio desligo.

2 comentários:

  1. Er...

    Sarinha?

    "Quer falar sobre isso?"

    Beijao, meu anjo! Adorei o post!

    P.S: E eu que pensava que so eu imaginava coisas... rsrsrs

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  2. Rachei de rir com este post!!!!!!!!
    gostei de ver que vc sabe brincar de fim do mundo.Eu tbm faço isso! hauha a gente é previnida.
    vou te dar outra tampan de batom ahuhua
    bjos abiga!

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