domingo, 22 de novembro de 2009

Cada dia com mais e mais vontade de sair andando por aí, até me perder de mim.

Leia ouvindo "Wherever I may roam", Metallica


Hoje planejo uma fuga.

Coloco na mochila todo o essencial e supérfluo necessário,
somente aquilo que não posso deixar ainda.
Visto a roupa mais discreta e calço as sandálias mais confortáveis,
somente aquilo que não posso deixar ainda.
Por cima de tudo, entram algumas fotos e um livro com dedicatória.
Somente aquilo que não posso deixar ainda.

Fecharei a porta: duas trancas em cima, uma embaixo. Chamarei o elevador e, pela primeira vez, não irei conferir se esqueci algo enquanto o espero. Sairei à rua, andando rumo ao sul, talvez norte. Talvez eu só ande, talvez eu corra. Não decidi ainda.
Será noite.
Os carros passarão e eu, assim como Mário me ensinou, passarinho.
Os faróis iluminarão meu rosto sem óculos (os esqueci... sempre os esqueço... desta vez será a última) e o vento bagunçará os cabelos. Todos estarão indo para suas casas. Eu estarei indo em busca da minha.

Em um dos bolsos da mochila, estarão as notas amassadas de dinheiro, dentro dela o potinho de moedas de 1 real. Cheio, eu espero. O cartão do banco ficará comigo enquanto houver saldo.

Quando amanhecer, restará somente a lembrança do início da noite e a imensa necessidade de prosseguir.

Parando em algum momento, quando não houver mais nada ecoando, e olhando para trás, sem ver sinal de ninguém.

Somente a estrada.

Talvez um dia eu pare. Quem sabe um dia eu volte. Não cheguei a esta parte do plano ainda...



Cada dia com mais e mais vontade de sair andando por aí, até me perder de mim.


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Com o perdão da paródia:
Penso que viver a vida seja simplesmente tocar o 'foda-se' e seguir em frente.

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