quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Correnteza

"Aquelas qüilas águas trans - às braças. Era um rio e seu além."
- Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa



Com o tempo aprende-se a andar.
Andando, aprendemos nesta vida a nadar.


A Vida é correnteza.
Entrei em suas águas dando braçadas descompassadas, engolindo, engasgando, respirando água e ar. Arderam-me os pulmões, a garganta, o orgulho.
Era e queria, "vou atravessar".

Com o tempo aprendi o ritmo. Deslizam as águas sob e pelo meu corpo, pernas e seios e mãos e braços e boca. Atravesso-as tranquilamente.
Avanço esperando.

Paro.

Refém da tensão da água, surge o seu rosto. Sorri e me chama.
Hesito, confusa.
Os pés diminuem o movimento, resolvo:
Era você que eu queria e esperava.

Afundo.

Você é correnteza.
Me prende,
me afoga,
me arrasta.

E eu sorrio enquanto me afogo em você.

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O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu

O seu olhar, seu olhar melhora...
melhora o meu.

Um comentário:

  1. palavras mais lindas Sarinha! E eu sigiro que seja lido com o som da música que vc indica no final do Arnaldo. Bjus

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