sexta-feira, 2 de abril de 2010

[des(apego)]

Pratiquei o apego um dia.
Hoje preciso do desapego.

Antes corria pela distância com os braços abertos, sentindo o vento.
Hoje caminho vacilante, em curvas e zigue-zagues, esperando alguém chegar para me acompanhar.

Já senti o equilíbrio resvalando em meu ombro, roçando em minha boca e, por fim, escorrendo por meus dedos.

Já andei devagar, já tive pressa. Já levei sorriso, já chorei demais.
Hoje me sinto cada vez mais fraca, como se minha luz estivesse falhando. Minha voltagem anda louca.

Parece simples e puramente que nada está certo e que não há conserto. Nem concerto mais nesta vida: não há sopros, nem violinos, onde andarão o bumbo e o tamborim?

Talvez meus fortes pilares tenham sido construídos nesta areia. E enquanto os espero desabar, faço desenhos com os dedos na branca areia fina, praticando o desapego, nesse apego ao finito.



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