terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Potinho



Me borbulha uma inquietação. Algo conhecido. Algo passageiro, nem sempre amigo.
Eu não descanso. Nem durmo.



Olho para o potinho ao lado da cama, com algumas moedas e me lembro claramente de quando o fiz de cofrinho pela primeira vez. É bom salientar que nunca tive cofrinhos sérios, sempre eu mesma os saqueava ou esquecia. Mas esse eu quis por brincadeira. E como muitas outras coisas firmes e sérias da minha vida, eu quis e fiz por brincadeira.

Juntava fielmente as moedas de R$ 1, douradas e grandonas! Nunca o surrupiei, sequer deixei uma dessas preciosas moedas jogadas no fundo da bolsa. Pedia trocos específicos, dava notas maiores para isso. O objetivo era juntar e, quem sabe, comprar alguma coisa divertida com aquilo! 

Talvez eu já tenha contado, talvez eu já tenha te contado... mas este pote foi saqueado. Não por mim, se faz favor de crer. Nem por ladrão nenhum. Nem valor alto ali havia. Poucas moedas ainda, coisa que não pagaria um cinema + pipoca. Ok. Coisas da vida... basta juntar outra vez!

Mas não pense que o safado deixou o potinho vazio. Isso não! Deixou um bilhetinho... de desculpas? Quem dera... bilhete dos mais grotescos... com disparates e impropérios.

Enfim, guardei o potinho com o bilhete infame dentro por longos 8 meses (quase uma gestação!)... não conseguia me livrar deles. Num destes dias de resolução, em que a poeira tendencia a ser sacudida, abri o potinho, peguei o bilhete, reli algumas vezes... sentei no sofá e assisti televisão na companhia dele por um tempo. Levantei e joguei no lixo.

Fugindo desesperadamente do que o potinho passou a significar, tentei transformá-lo em baú mais uma vez. E percebo que preciso me livrar dele.

Acho que vou deixar essa coisa de juntar moedas para crianças ou duendes. Meu caso está perdido.

Um comentário:

  1. Eu acho engraçado essa questão do cofrinho, nunca tive paciência para eles. Se bem que meu pai costuma roubar as minhas moedas, talvez um cofrinho servisse para eu evitar os saques indevidos às moedas na minha prateleira.

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