sábado, 17 de setembro de 2011

Cada dia é mais um dia.

Mais um grão de areia que cai.

Olho minhas mãos, meus dedos. Relembro os anéis que por eles passaram e se perderam.
A varanda só me mostra o que será passado um dia. Provavelmente esquecido.

Meus pés se lembram do tapete da casa da minha avó, que tinha um cheiro esquisito [o tapete, não a senhora]
E a cortina que tinha desenhos estrambólicos, que me pareciam caveiras esticadas.
Do disco de vinil verde que tocava histórias nas suas rotações. 
Dos inúmeros discos de vinil que passávamos tardes e tardes ouvindo.
Minhas mãos também se lembram desse tapete, de como me sentava nele nessas tardes ou até deitava (daí sentir seu cheiro esquisito), alisando e despenteando as cerdas. 

E tudo o mais o que não lembro perdeu-se num mar de nada. Num mar de silêncio desmotivado, de medo, de solidão, de esquisitice, de não encaixe.

Todos estes dias. Todos estes quase 10.000 dias de vida me trouxeram aqui.
Não posso deixar de acreditar que me trouxeram ao nada.

Às vezes parece que vivi adormecida durante longo tempo. Não sei bem como as coisas são, mas aparentemente todos sabem as regras do jogo e já participam dele há tempos, tanto tempo.





Cada dia é mais um dia. Mais um grão de areia que cai.

Um comentário:

  1. Gostei do texto, realmente ficou muito tocante. Mas eu acho que é bem assim... algumas vezes parece que ficamos presos remoendo o passado e não conseguirmos ver o futuro.

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