terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Gavetas.

Hoje abri uma gaveta e me deparei com aquilo que há muito foi perdido.

Não estava lá realmente, havia somente um breve suspiro.

Gavetas são, em grande parte de suas vidas, caixões. Servem às vezes para armazenar roupas, meias. 
Mas geralmente confinam memórias. Esquecidas... esqueletos que não couberam nos armários.


Abrir uma gaveta é, então, atividade perigosa, por vezes trágica.
Gavetas são armadilhas. Dentro delas reside o que foi e o que poderia ter sido. 

Na sua poeira está o que nunca foi e aquilo que nunca poderia ter sido.

Hoje abri uma gaveta. E por um breve suspiro, vi. 


Fechei os olhos e segurei a respiração.

Não pude evitar. Pensei.

E pensei.

Pensei em minha mãe. Em como nossa vida era ruim. Em como ríamos muito. 
Era riso de desespero (?).

Em como aquilo era eterno e etéreo. 
Imaginei como ela está agora. 
E como estará daqui algum tempo.

Maldita gaveta.

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