A menina que sabia de menos
A menina que sabia de menos avançava lentamente, apesar de seus esforços. O ar seco atrapalhava, assim como o frio. Quando finalmente chegou, olhou para o relógio da torre e seguiu obstinadamente rampa abaixo, rumo à luz artificial. Havia ali a questão do tempo. Não o tempo cronológico, mas aquele específico das circunstâncias, onde o instante de cada acontecimento seria crucial para o desenrolar satisfatório dos seguintes, encadeamento previsto.
Quase ao final da rampa, uma mulher que estava parada ali lhe segura o braço e questiona "Vai descer mesmo?". Desvencilhando-se calma e amistosamente, a menina que sabia de menos balança a cabeça em sinal de afirmação e prossegue. Não havia tempo, havia um encadeamento a ser feito.
Conseguira. Avançara até o limite. Olhava ansiosa para o túnel. Os outros tinham seus próprios desencadeamentos, não a viam. Percorreu alguns poucos passos, havia um ponto para acertar.
Dali a alguns minutos, segundos talvez, seria dado início. A primeira peça seria derrubada.
O trem para e abre as portas. Ela avança um passo em direção ao seu interior.
Desencadeando.
Desencadeado.
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E toda vez que escuto o condutor informando "Estação... Águas Claras" acabo imaginando ele dizer "Estação... Primeira de Mangueira: nota 9,5!".
E fico rindo sozinha.
(hehehehe... fico mesmo)
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