Em qualquer lugar, sempre o mesmo.
Em algum lugar da terra
Do alto, fixou o olhar nos pés. Concentrava-se apertando os dedos, as articulações brancas com o esforço. Mas não havia meio. Ainda que resignada, podia sentir que seus calcanhares se elevavam e não havia onde segurar. Em instantes, estariam arrastando o restante dos pés para o alto e ela flutuaria para o nada.
Em algum lugar do mar
As pequenas ondas batiam e voltavam, batiam, voltavam... mais adiante a praia. A água estava morna e funda. Ali não dava mais pé e ela movimentava as pernas lentamente, tentando manter-se por mais tempo e com menos esforço. Ao longo da risca arenosa não havia viv'alma que pudesse ajudá-la. Uma ou outra pessoa passando por ali, com cachorros na guia e comprando picolés. Mas não a viam. Talvez a água salgada, o sol e o medo tivessem lhe tirado a voz. Na verdade não queria voltar. Era sabido e certo que a correnteza a arrastaria. Para o nada.
Em algum lugar daqui
Escrevo palavras para tentar me prender. Me segurar em mim mesma. Empurro tecla por tecla e sei que com isso me distancio um pouco mais. Volto. A cada dia meus calcanhares sobem , as ondas me levam mais adiante. Será que conseguirei me manter aqui? Provavelmente não o farei.
A vontade que tenho é levantar âncora e me deixar aqui, enquanto sigo e flutuo por ali.
Do alto, fixou o olhar nos pés. Concentrava-se apertando os dedos, as articulações brancas com o esforço. Mas não havia meio. Ainda que resignada, podia sentir que seus calcanhares se elevavam e não havia onde segurar. Em instantes, estariam arrastando o restante dos pés para o alto e ela flutuaria para o nada.
Em algum lugar do mar
As pequenas ondas batiam e voltavam, batiam, voltavam... mais adiante a praia. A água estava morna e funda. Ali não dava mais pé e ela movimentava as pernas lentamente, tentando manter-se por mais tempo e com menos esforço. Ao longo da risca arenosa não havia viv'alma que pudesse ajudá-la. Uma ou outra pessoa passando por ali, com cachorros na guia e comprando picolés. Mas não a viam. Talvez a água salgada, o sol e o medo tivessem lhe tirado a voz. Na verdade não queria voltar. Era sabido e certo que a correnteza a arrastaria. Para o nada.
Em algum lugar daqui
Escrevo palavras para tentar me prender. Me segurar em mim mesma. Empurro tecla por tecla e sei que com isso me distancio um pouco mais. Volto. A cada dia meus calcanhares sobem , as ondas me levam mais adiante. Será que conseguirei me manter aqui? Provavelmente não o farei.
A vontade que tenho é levantar âncora e me deixar aqui, enquanto sigo e flutuo por ali.
***
Não quero a brisa nos meus cabelos... quero ser a brisa nos seus.
Afagar, embaraçar, lamber sua face e te chamar de meu.
E então continuar rodopiando e finalmente ir.

Peguei a foto em algum lugar da internet... não me lembro onde. Malz aê :
Minha doce poetisa...
ResponderExcluirTem uma canção dos Engenheiros (sempre eles! rsrs) que diz o seguinte:
"Âncora
Vela
Qual me leva?
Qual me prende?"
E tem outra sobre um diálogo entre um de nós e um "celestial" (nunca entendi se era um astronauta ou uma entidade cósmica):
"-Lá do alto deve ser bonito!
-Aqui de cima é tudo normal."
O relativismo das distâncias e das funções das coisas. Sempre me pareceu assim.
Mas algumas coisas são sempre certas:
"Me dá sua mão
(...) Vem lutar
Lado a lado."
Estou sempre aqui, viu!
Um Beijão, saudades muitas!