Um percevejo

No inicio, havia um ponto e outro ponto, e outro. Que reconto e conto e conto. Já contei tantas vezes que nem me lembro como me sinto sobre isso. É uma reticência sem fim.

Às vezes penso em não contar mais. Eu poderia me revestir de muitos véus de mistério, olhar de esguelha quando me perguntassem e responder com uma frase misteriosamente indefinida.


Não me parece comigo. 


Pois eu sou aquela que fala. Muito menos do que pensa, infinitas vezes menos do que pensa, mas fala. Porque meu coração transborda. E, egoísta que sou, quero transborda-lo em você, te afogar no que sinto e no que me afogo todo dia.


E por isso jorro. Jorro novamente as palavras em uma página em branco, em um blog vazio.


E o cursor pisca-pisca-pisca, o 'delete' come as palavras escritas. And still I rise. 


Peço licença à Maya Angelou para usar suas palavras em um contexto menos nobre do que aquele para o qual foram primeiramente escritas… mas minhas constantes reticências me fazem dizer

'You may shoot me with your words,

You may cut me with your eyes,

You may kill me with your hatefulness,

But still, like air, I’ll rise.’

Eu queria mesmo desistir. Deitar no solo e sentir o retumbar do mundo, sem medo, pois tudo acabou. 


Mas algo me levanta. 

(Um tipo de força de “desgravidade”? Que me repele do chão, ainda que nele eu tombe 1.000 vezes)


E enquanto me levanto, por incontáveis vezes contra a minha vontade, apenas ressoa em meu ouvido “But still I rise”.


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