Ser o não-ser
Tomo o banho, lavo a alma, cabelos molhados deitados no travesseiro. Deslizo para a inconsciência.
εïз
Adorei esta tirinha:

Extraído do magnífico Ryot Iras! :D
Acordo amassada... quem será aquela que vejo no espelho?
Sou eu.
Me reconheço. Já vejo estes olhos pequenos e inchados de sono, este rosto redondo e estes cabelos loucos há tanto tempo que os reconheço de imediato, apesar da estranheza do conjunto. Ensaio uma careta enquanto preparo a escova, me espreguiço. Sou eu mesma. Indubitavelmente.
A escova arrasta-se dentro da boca, sôfrega e pesada, enquanto penso em você... olho de relance o vidro à minha frente.
Não sou eu.
Eu era aquela que corria para agarrar-se ao despertar. Aquela que não via. Nem ouvia. Agora está esta aqui, que vê. Que ouve. E realmente se importa com tudo isso. E sorri quando vê o emaranhado de cabelos que desrespeitam a gravidade e teimam em ficar em pé.
Não sou eu. Indubitavelmente.
Mas ela é simpática. Posso aceitar sua cara no espelho todas as manhãs e esse olhar sonhador... suportarei enquanto eu mesma não venho.
Suportarei... desde que ela se comporte. Pare de fazer com que eu me importe com o que você pensa, o que você fala. Desde quando eu sinto meu eixo se partindo diante da possibilidade do seu desprezo/não querer? Não, não... não, senhorita do espelho! Respeite o meu distanciamento. Ainda que eu esteja vagando por aí, mereço o respeito da lembrança. Aliás, o lugar ainda é meu! Pode até mesmo ser que eu volte...
Ela sorri para mim. Não ouviu palavra. Estava concentrada brincando de arquear as sobrancelhas... alternadamente.
Antes que eu pudesse retomar a palavra e as advertências, salteou e correu louca, pobrezinha... Quebraremos a cara, pois. Sou agora este não-ser, desobediente, falível, fadado ao julgamento de todos, dos outros, do seu.
Seja gentil.
Sou eu.
Me reconheço. Já vejo estes olhos pequenos e inchados de sono, este rosto redondo e estes cabelos loucos há tanto tempo que os reconheço de imediato, apesar da estranheza do conjunto. Ensaio uma careta enquanto preparo a escova, me espreguiço. Sou eu mesma. Indubitavelmente.
A escova arrasta-se dentro da boca, sôfrega e pesada, enquanto penso em você... olho de relance o vidro à minha frente.
Não sou eu.
Eu era aquela que corria para agarrar-se ao despertar. Aquela que não via. Nem ouvia. Agora está esta aqui, que vê. Que ouve. E realmente se importa com tudo isso. E sorri quando vê o emaranhado de cabelos que desrespeitam a gravidade e teimam em ficar em pé.
Não sou eu. Indubitavelmente.
Mas ela é simpática. Posso aceitar sua cara no espelho todas as manhãs e esse olhar sonhador... suportarei enquanto eu mesma não venho.
Suportarei... desde que ela se comporte. Pare de fazer com que eu me importe com o que você pensa, o que você fala. Desde quando eu sinto meu eixo se partindo diante da possibilidade do seu desprezo/não querer? Não, não... não, senhorita do espelho! Respeite o meu distanciamento. Ainda que eu esteja vagando por aí, mereço o respeito da lembrança. Aliás, o lugar ainda é meu! Pode até mesmo ser que eu volte...
Ela sorri para mim. Não ouviu palavra. Estava concentrada brincando de arquear as sobrancelhas... alternadamente.
Antes que eu pudesse retomar a palavra e as advertências, salteou e correu louca, pobrezinha... Quebraremos a cara, pois. Sou agora este não-ser, desobediente, falível, fadado ao julgamento de todos, dos outros, do seu.
Seja gentil.
εïз
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Extraído do magnífico Ryot Iras! :D
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