Queime depois de ler.
Tamborilava seus dedos na mesa.
Dedos sujos de tinta, como provas do frenesi literário recém celebrado.
A lateral de sua mão, do dedo mínimo... completamente manchados de azul.
No papel, a prova. A prova de que precisava.
As palavras - tensas, esculpidas, encravadas - no papel. Provavam.
A urgência de colocá-las, de pregá-las na existência, de negá-las ao esquecimento vítreo do fogo fátuo da dispersão... aquela urgência havia acabado. Jaziam ali a palavras. As provas de que precisavam.
Releu. Seus olhos saltavam os parágrafos, repousavam e voltavam, borboletas.
Precisava destruí-las. Precisava destruir as provas de que precisavam.
Ficaria o dito pelo desdito. O escrito, descrito, destruído.
Guardou os papéis na pasta, no fundo da gaveta.
As palavras não morreriam. Não mais. Uma vez escritas, tingidas na folha, para sempre o acusariam.
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Da série "Porque não escrevi".
Às vezes releio o que escrevi e me pego imaginando quem era aquela maluca com o teclado nas mãos e más intenções...
Outras vezes acho mesmo graça de todo aquele mar palavrórico jorrante mirabolante.
Em outras sinto vergonha. Tipo ler o diário de qdo se tinha 15 anos, sabe? Fico pensando Afffff... Se mata, véi! -.-
Nada me faz ter menos vontade de escrever do que ser lida.
É uma bosta despir-se em frente aos outros com a luz acesa. Principalmente sem intimidade.
Eu poderia escrever e guardar para mim. Mas qual seria a finalidade?
Me faz feliz ser lida.
Oh! Me leram!! hehe *___*
Minha solução foi jogar na vastidão cibernética, sem alarde, esperando que estranhos me lessem e me esquecessem. Mas, então, vieram os Conhecidos e Íntimos frequentar minhas toscas confissões.
Fiz 'nossos' meus segredos mais sinceros.
E trouxeram minhas mensagens em garrafas para meu dia a dia.
Ali, fora do contexto, sem garrafa, sem mar. Com autoria.
E com direito à discussão das intenções da autora!!!
O fato é que perdi meu medo de ter medo. E vivo com medo.
Medo de dizer, de responder, de confessar, de expor, de discutir.
Medo de trazê-los para a luz e mostrar a vocês minha escuridão.
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