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Se alguém perguntar por mim...

Respondendo hoje a uma pesquisa, vi a seguinte pergunta “Você tem blog? Se sim, qual é o endereço?”. Deu-se um clique * CLIQUE * e de repente o meu blog estava de novo em minha vida. Há quase um ano deixei o último texto intitulado “ All about a girl who can't stay ”, mais precisamente no dia 14/04/2013. Não fosse a pesquisa, em uma semana faria meu primeiro aniversário consciente de ser uma “não-escrevente”. Reli os últimos textos, buscando provas de mim e do meu sumiço. Encontrei digitais inexatas, buracos negros e nada. Encontrei nada. Havia nada espalhado por todos os parágrafos. Até um eco ressoando nas paredes de um silêncio maluco. Depois desse “CSI literário” me dei conta que sumi por sumir. A vida é um mar, um mundão de água salgada. A nossa missão é continuar nadando. Veio onda grande? Continue nadando. Veio tempestade? Tubarão? Frio congelante? Continue a nadar. Como a Dori ensina no filme “Procurando o Nemo”. Mas no filme o signi...

All about a girl who can't stay

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É preciso encontrar um motivo para ficar. Mimimi viver é preciso, navegar não é. Algo assim. Sabendo que o motivo não estaria ali, evitava olhar as castanheiras cheias de poeira, as paredes brancas e suas pequenas rachaduras espiãs. Nestas eternas terças-feiras vazias, olhar não adiantava nada. Pequenos bolos de poeira e pelo de gato se acumulando num canto morto. Uma caixa, um nicho, uma estante, um instante. Nada além de nada. Como uma vidente cega e surda ao futuro, incerta até mesmo de seu próprio presente, tateava o relógio procurando o tempo. Andava, o ponteiro. Dava um passo, parava, outro passo, parava. Como se dissesse "Não me alcança, não me alcança" a cada passada. Olhava nos dedos, olhava no espelho, nada. Olhava um rosto amado e só via ali uma ponta de saudades adiantadas, saudades doídas e ainda etéreas, antecipadas. Em cada dobra de esquina, página virada de livro, olhar demorado... tudo só dizia "Aqui não há de haver mais é nada....

Queime depois de ler.

Tamborilava seus dedos na mesa.  Dedos sujos de tinta, como provas do frenesi literário recém celebrado. A lateral de sua mão, do dedo mínimo... completamente manchados de azul. No papel, a prova. A prova de que precisava. As palavras - tensas, esculpidas, encravadas - no papel. Provavam. A urgência de colocá-las, de pregá-las na existência, de negá-las ao esquecimento vítreo do fogo fátuo da dispersão... aquela urgência havia acabado. Jaziam ali a palavras. As provas de que precisavam. Releu. Seus olhos saltavam os parágrafos, repousavam e voltavam, borboletas. Precisava destruí-las. Precisava destruir as provas de que precisavam. Ficaria o dito pelo desdito. O escrito, descrito, destruído.  Guardou os papéis na pasta, no fundo da gaveta. As palavras não morreriam. Não mais. Uma vez escritas, tingidas na folha, para sempre o acusariam.  ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Da série "Porque não escrevi".  Às vezes releio o que escrevi...

Longe

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Recentemente eu caí igual a Alice num buraco fundo por demais. Enquanto descia, vi subindo meus antigos móveis, livros que folheava sempre, algumas roupas favoritas. Vi porta-retratos e televisões passando reprises. Flutuando, passou um computador com um jogo de paciência inacabado. E fui caindo. A queda era tão longa que no meio do caminho encontrei uma cadeira que já havia sido minha e sentei... suavemente indo para o fundo, pensei "Como é que vim parar aqui?" e tentei lembrar. Nada me vinha à memória...  Passei tanto tempo nessa descida, que um despertador piscou voluntariosamente berrando estridente e eu fui trabalhar... Ainda assim, enquanto digitava e atendia o telefone, as coisas permaneciam no seu curso para cima e eu para baixo. Eu voltei do trabalho, tomei banho, escovei os dentes e os cabelos. Apanhei o pratinho da Mia voando, também por ali vinha o saco de ração... troquei também a água e dei um cheiro na minha gatinha, que logo escapuliu pulando de móvel...

silenciosamente

Quantas postagens já comecei e apaguei? Muitas, até demais. As palavras saem gagas, receosas, arrastadas. E quando saem (e se saem), o cursor para e pisca, mandando tudo pro espaço em segundos, apaga-apaga-apaga. Só o que posso oferecer ultimamente é o meu silêncio e páginas em branco. Preenchidas e esvaziadas. Escrever para alguns é terapêutico, necessário, alívio. Mas agora, meus bens, nenhum S.O.S valerá uma mísera palavra. Porque não há perigo. Não há fogo. Só há muito de mim em mim. Transbordando. E há, além de tudo, o olhar do outro. Não do outro, mas seu. Você aí lendo cada palavra. Apesar destas letras estarem expostas e me exporem, esse espaço não deve ser comentado com meu outro eu, aquela que percevê mas não escreve. O mal de quem escreve é ser lido. Porque o leitor, esse libertário safado, lê e reescreve o texto, retirando-o do seu dono e tomando-o para si e para seus quês. Mas não é essa a beleza destes tracinhos tão significantes cheios de seus significad...

O Buraco.

Um buraco negro tem um campo gravitacional tão foda que nada sai de dentro dele... nem a luz escapa. Ela entra e morre lá dentro (será?) .  Algumas pessoas têm medo dos buracos negros, como se eles sugassem tudo e não fossem parar até que o Universo se engolisse a si mesmo próprio .  Mas isso não é verdade. A verdade é que , na verdade, pouco se sabe. Pode até ser que os buracos negros estejam aí só para devorar tudo mesmo, aos pouquinhos, como aspiradores preguiçosos varrendo o Cosmos do próprio Tudo. . . . Quando se nasce com um buraco no peito não há como tampá-lo. Se alguém tiver cavado, tudo bem... O natural é que volte a encher em algum momento. Mas se nasceu assim, vazio ainda que cheio, é buraco negro.  Se esse "buraco" atrai tanto pra si que até mesmo não consegue deixar nenhuma fagulha sair, bem, se ele faz isso, meu amigo, fodeu. O seu diagnóstico é buraco negro no coração.  Algumas pessoas têm medo dos corações, como s...

Enquanto olho por esta janela...

Enquanto olho por esta janela vejo os ipês floridos. O sol, convidativo, acenando e sussurrando "Venha" ao meu ouvido. De pé, enquanto olho por esta janela, imagino: onde estarei indo? Vejo meus passos rápidos atravessando o canteiro, fuçando na bolsa em busca do chiclete. Liberdade no ar que respiro. Capturo o telefone, ligo para alguém, marco um compromisso? Enquanto tagarelo, olho de soslaio para aquela que sou eu, mas está presa lá em cima, na janela, sorrindo.